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Ocupação da UFS: No fim a gente ganha!

junho 14, 2011

Henrique Maynart*

 O dia 30 de maio de 2011 entrará para a história da Universidade Federal de Sergipe. Fincamos esta afirmação sem o medo dos fantasmas da presunção, das ciladas perigosas da auto-proclamação. Indignados com o estado de precariedade e completo abandono do curso de Comunicação Social, os estudantes tomaram pelas mãos o futuro de seus cursos, ocupando Gabinete do inatingível ‘magnífico’ reitor da UFS, Josué Modesto dos Passos Subrinho.

Bem, mas o que diabos nós queríamos mesmo? Queríamos – e ainda queremos – prazo para a construção dos prédios, aquisição de equipamentos, livros, software, contratação imediata de professores, tanto efetivos quanto substitutos; queríamos a democratização da Rádio UFS para a comunidade acadêmica e a sociedade em geral. Enfim, ansiávamos um curso, uma universidade e uma formação que transcendesse as migalhas que nos apresentam há mais de dois anos de mobilização intensa, nas tentativas frustradas de diálogo junto à administração acadêmica.

Ocupamos e fomos com tudo. Fomos ‘pro pau’. Nos organizamos em comissões, passamos em sala todos os dias, provocamos constantemente a cobertura da imprensa local, solicitamos a mediação do Ministério Público Federal e da Ordem dos Advogados do Brasil, dialogamos com a sociedade e esta nos devolveu simpatia e solidariedade. Aturdido, o então inatingível reitor Josué não apresentara em nenhum momento respostas concretas e significativas, que fossem além das previsíveis migalhas. Continuamos ocupados e, para desopilar um pouco de nossa inconveniência, o ‘magnífico’ reitor viajou para Portugal no início da semana passada. Todo mundo merece um pouco de descanso, não é? Se nossa presença constituía um fardo para o reitor, nada melhor que um melancólico fado português, ora pois.

Foram 10 dias de derrotas e vitórias, de altos e baixos típicos de um cotidiano de luta, mobilização, diálogo e convencimento da sociedade. Ficamos estarrecidos com a omissão da atual gestão do Diretório Central dos Estudantes da UFS, que em nenhum momento sinalizou apoio, diálogo ou composição com nosso movimento de ocupação. O que ocorre no curso de Comunicação Social é um reflexo da política de expansão populista e irresponsável do governo Lula-Dilma, cristalizados pelo Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – Reuni -, e este é um quadro vivido por toda a universidade.

Não somos uma ilha dentro da universidade e temos ciência de nosso papel e do precedente que se abre com esta nossa ocupação. Ninguém é contra a expansão da UFS. Mas expansão deve estar acompanhada de qualidade, repasse de verbas, assistência estudantil, políticas de permanência, pesquisa e extensão, e o Reuni nunca reuniu nada disso. Bem, se o DCE não cumpre com o seu papel de aglutinador da luta estudantil geral, coube a nós ocupados na Reitoria a execução desta tarefa.

Em reunião junto ao MPF nós conseguimos avanços significativos em todas as pautas apresentadas. O prédio do Complexo de Comunicação Social deverá ser entregue em setembro de 2012, teremos prioridade na contratação de professores substitutos, efetivos e técnicos administrativos, aquisição de equipamentos, livros e recursos. Será realizada uma audiência pública para discutir a estrutura organizativa da Rádio UFS, seu funcionamento e conselho administrativo, além de avançarmos na democratização dos editais de programação.

Desocupamos a UFS, mas não nos desocupamos da luta real. Fundamental ressaltar que a ocupação foi um passo imprescindível para uma reivindicação maior na conquista de uma educação pública, gratuita e de qualidade, e de um modelo de Comunicação Social pautado no interesse público, nos anseios da organização popular. Na noite de quarta, 8 de junho, articulamos uma assembleia geral com toda a comunidade discente, em paralelo à reunião junto ao MPF.

Desde o ano de 2007 a UFS não sentia nem o cheiro de uma assembleia geral. Expandimos a campanha ‘Chega de Migalhas para toda UFS, e queremos mais. Precisamos aglutinar todos os setores mobilizados na luta contra as migalhas na educação. A briga por educação deve atingir todos os níveis. Os professores da rede estadual paralisados, os servidores técnicos administrativos da UFS que cruzaram os braços, dos servidores da SEED e de toda a sociedade. Queremos dignidade não só na educação, mas em todos os campos de nossas vidas. Levamos uma batalha e sabemos que o fim não está tão próximo, mas ele precisa ser nosso. No fim a gente ganha, sim ‘sinhô’.

 

* Henrique Maynart é comunicador popular, estudante de Jornalismo da UFS, militante do Partido Socialismo e Liberdade e ex-ocupado na UFS, mas ocupado na luta!

Saiba mais sobre a ocupação da Reitoria da UFS: http://chegademigalhas.blogspot.com/

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2 Comentários leave one →
  1. WASHINGTON. permalink
    setembro 4, 2011 12:26 am

    PARABÉNS HENRIQUE! É COM LUTA QUE CONSEGUE AS COISAS…

  2. WASHINGTON. permalink
    setembro 4, 2011 12:27 am

    VALEU!!!!!!!!!!!!!!

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