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A luta pela educação e a (re)construção de um projeto de esquerda em Sergipe.

junho 13, 2011

*Alexis Pedrão

“Essas estratégias são as mesmas dos governos anteriores e o que nos espanta é que isso aconteça também no governo do PT de Marcelo Déda” disse Joel Almeida, ex-presidente do SINTESE no programa Hora da Verdade da AM 540, neste último sábado. A crise política que se estabelece em setores sociais descontentes com os caminhos do Partido dos Trabalhadores e de seus governos é um processo dinâmico, pulsante e que apresenta recuos e avanços, mas que não deixa de se manifestar em momentos de acirramento da luta de classes. Dentro dessa perspectiva é que assistimos a votação do projeto do piso para o magistério sergipano e a saída de Iran Barbosa da secretaria de Direitos Humanos e, conseqüentemente, do governo do estado.

Os professores nesta semana que se encerra mostraram uma força para a luta que deu inveja em qualquer categoria. Seguindo o exemplo dos estudantes de comunicação que ocuparam a reitoria da UFS e da mobilização dos grevistas das universidades estaduais baianas, os professores também ocuparam! Mas dessa vez foi a assembléia legislativa de Sergipe e, assim, deram mais uma prova de resistência e de defesa dos seus direitos e da educação pública, gratuita e de qualidade. E os ataques não foram poucos e vieram de todos os lados. Da direita clássica e oportunista que não pode perder um jogo de cena, mas também da nova direita que afunda a educação pública em nome da manutenção de seus espaços de poder. Frisamos aqui que a deputada professora Ana Lúcia foi a única petista a votar contra a proposta do governo para a efetivação da lei do piso, sendo isolada pelos seus companheiros de partido e ainda ganhando a pecha de fazer o jogo da direita. Que ironia! Justamente a acusação que é feita à militância de esquerda que se coloca na oposição programática aos governos federal, estadual e municipal.

Corte de ponto, ameaças dos diretores das escolas, pedido de ilegalidade da greve frente ao tribunal de justiça, destruição da carreira dos professores, nada de gestão democrática. Esse é o quadro apresentado pelo governo Déda que tenta jogar os professores contra a sociedade e que em nada se diferencia de governos anteriores. Aliás, quando vemos o governador de braços dados com Ivan Leite do PSDB, nos perguntamos se realmente há alguma mudança no cenário político sergipano que contribua no avanço da consciência e da organização dos trabalhadores, pois sabidamente esse é o caminho a ser percorrido: o da auto-organização da nossa classe. Assim tem caminhado o SINTESE, o movimento estudantil que ocupou a reitoria da UFS exigindo mais do que migalhas para a educação superior, a greve do SINTUFS contra a MP 520 e por uma verdadeira política salarial, as manifestações do SINTRASE por um justo plano de carreira para os funcionários da educação e do estado e as denúncias do SINDIPEMA que não vacilam em anunciar que nunca os professores de Aracaju perderam tanto como na prefeitura de Edvaldo Nogueira. Deve ser isso que está por trás do slogan “Nunca se fez tanto como nos últimos cinco anos”.

Isto é, para além das diversas greves e categorias do funcionalismo público em luta, os trabalhadores da educação em todos os níveis, aliados em alguns momentos da juventude, demonstram muita disposição e escancaram a péssima política educacional implementada pelos governos de cabo à rabo. Essas lutas em curso não estão isoladas de um problema central e de forma alguma podem ser resolvidas dentro da disputa dos governos em questão. Aqui fica o registro de que precisamos aprofundar os rumos da prosa para além dos processos eleitorais. Esse, inclusive, foi o erro cometido por muitos agrupamentos da esquerda brasileira, e que precisa ser reavaliado diante dos acontecimentos da conjuntura, cada vez mais adversa. A discussão a ser travada passa pela reconstrução de amplos espaços que possibilitem a construção de sínteses, onde não deve haver aqueles e aquelas que tenham mais “razão” que os outros ou que se proclamem mais “revolucionários”, mas que no diálogo possam trazer suas diferentes experiências de luta para em conjunto apresentarmos saídas políticas e organizativas. Nesse sentido, há em curso uma proposta de fórum em defesa da escola pública, convocado com mais de 3000 pessoas nas ruas, recentemente no Rio de Janeiro, que parece cumprir bastante com esses objetivos. É apenas um exemplo. A lição é a necessidade de se voltar a discutir, de forma unitária, um projeto de educação, de médio e longo prazo no estado de Sergipe.

Esse projeto, entretanto, não está descolado de forma alguma de um debate sobre o capitalismo e sobre as (poucas) possibilidades que conseguimos arrancar dentro do sistema. Há uma responsabilidade com o avanço das lutas e da consciência da classe trabalhadora para que não seja feita uma falsificação da realidade dando a entender que conseguiremos alcançar a educação que sonhamos sem a ruptura radical com o sistema econômico, político e social ao qual estamos submetidos. Os ataques não cessarão. O governo está apenas no primeiro ano do segundo mandato. E não há tempo a perder. A história saberá nos cobrar os erros e acertos que estabelecemos na ação política dos dias atuais.

*Alexis Pedrão é merendeiro escolar, militante do Mov. Não Pago e presidente do PSOL em Aracaju.

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