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Em Sergipe, a aparente calmaria sinaliza fraqueza: Crescem as mobilizações!

maio 26, 2011

Por Alexis Pedrão

Anúncio de mais uma data destinada ao fim do mundo. Teve gente que acreditou. Mas essa história estamos muito acostumados a ouvir. Teve Manoel de Rosinha, prefeito de Porto da Folha e filiado conhecido do Partido dos Trabalhadores, condenado por “improbidade administrativa”, isto é, tendo seu mandato caçado por conta de uso da máquina pública para interesses individuais. Mas casos de corrupção com os partidos da direita tradicional e com o PT também não é lá muita novidade. O que nos chama atenção é a retomada do fôlego da classe trabalhadora sergipana. Já no primeiro ano do novo governo de Marcelo Deda, diversas categorias do funcionalismo público denunciam a precária situação do trabalhador em Sergipe e reivindicam seus direitos.

Não é que não tenham lutas no estado. Mas tantas categorias mobilizadas de uma só vez não tem sido um cotidiano. São trabalhadores do DETRAN, agentes penitenciários, professores da rede estadual, CEAC, civis do hospital militar, universidade federal/hospital universitário. A política salarial e as condições de trabalho estão na ordem do dia, mas também a busca pela liberdade de expressão e do direito de greve, conquistado com muita resistência ao longo da história. A greve do sindicato dos trabalhadores do DETRAN, por exemplo, foi decretada ilegal antes mesmo de acontecer. E o mais lamentável: com sucessivas mobilizações de rua e de impacto na sociedade, o desembargador Cláudio Dinart Déda Chagas, contraditoriamente, concordou com a argumentação de que não há legitimidade do sindicato para representar os filiados por conta da ausência da carta sindical emitida pelo ministério do trabalho, contrariando decisão do STF e evocando um instituto antidemocrático de controle do estado sobre os trabalhadores. Mas eles resistiram!

E essa não foi a primeira vez que o tribunal de justiça proferiu no sentido da ilegalidade das greves. Aliás, em Sergipe isso já é uma certeza. Se greve, então ilegal. Em 2009 quando muitas greves também aconteceram no mesmo período, o sítio eletrônico daInfonet chegou a elaborar um infográfico com as greves em curso e quais já tinham sido decretadas ilegais pela “justiça”. Outro dado importante é que esta efervescência não acontece somente por aqui. Em outros estados do nordeste e do país diversas categorias do funcionalismo público estão em pé de guerra contra a política implementada pelos governos e empresários. Para não irmos muito longe, o Piauí e o Rio Grande do Norte são bons exemplos. A desculpa é sempre a mesma da falta de dinheiro. Entretanto, ninguém comenta mais sobre a “marolinha” da crise capitalista com seus desdobramentos nítidos, seja no arrocho salarial, na alta dos preços, em especial dos alimentos ou no estrangulamento dos investimentos nos direitos sociais. Outra coisa não justificaria o corte de bilhões nos direitos sociais feitos por Dilma no início desse ano.

Interessante também tem sido a experimentação da classe trabalhadora sergipana com o segundo mandato de Marcelo Deda. O calo que já doía, passa a ficar insuportável. As mobilizações e denúncias afloram. Foram moto-taxistas, bancários, até os funcionários da TV Sergipe. Agora esta nova onda de paralisações e greves. O Transporte Público/Privado, a Saúde, a Educação e a Moradia são problemas em todo o estado e maltratam por demais a sofrida população trabalhadora. São inúmeras declarações, cheias de tristeza e frustração, de dirigentes sindicais e trabalhadores por avaliar na prática da luta social que o governo eleito pelo povo, representa os interesses da elite. Não se pode estar com o agronegócio e a pequena agricultura ao mesmo tempo. Com as construtoras sedentas por dinheiro e a moradia popular. Com o empresariado e o trabalhador. Cedo ou tarde a máscara cai e belos discursos já não iludem como há pouco tempo atrás.

Por isso, os trabalhadores não esperam. Vão à luta, de forma organizada e coletiva. Dão uma bela lição. Protagonizam novas cenas que abrem brechas para o deslocamento da consciência política do âmbito da disputa deste governo para o lado do seu firme enfrentamento. Abre espaço para a discussão de novos instrumentos que dêem conta de levar o processo de lutas até a vitória. Instrumentos que resgatem a autonomia e a combatividade frente aos patrões e governos e que apresentem um programa “recheado” de demandas da classe trabalhadora. Que tenham a capacidade de canalização dessas lutas numa crítica ao sistema capitalista com vistas a outra forma de organização social assentada em novas relações de trabalho. É um bom momento de percebermos a necessidade de superação do corporativismo e de avançarmos numa barreira mais ampla e unitária, a barreira de classe. A aparente calmaria sinaliza fraqueza. Viva a luta das e dos trabalhadores sergipanos!

*Alexis Pedrão é merendeiro escolar e presidente do PSOL em Aracaju

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  1. Eleonora de Albuquerque permalink
    maio 27, 2011 5:58 am

    Ninguém pode servir a dois senhores, ou seja, aos trabalhadores e empresários. É preciso que os governos eleitos pelo povo e que defendiam os direitos dos trabalhadores pensem nisso.
    Afinal, onde andará o velho PT de tantas lutas e embates em prol dos trabalhadores brasileiros? Por quantas andam os ideiais socialistas? Será que foram trocados por cargos politicos? Status sociais? Cargos comissionados?

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