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Quem é Plínio de Arruda Sampaio candidato do Psol à presidência

julho 8, 2010
Plínio de Arruda esteve em Vitória (ES) para participar de uma  série de encontros e debates com militantes e simpatizantes do Psol  Foto: Alex Cavalcanti/Especial para Terra

Candidato: Plínio de Arruda Sampaio (Psol)

Nascimento: 26 de julho de 1930, em São Paulo, SP

Estado Civil: Casado

Formação: Formado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, com mestrado em Desenvolvimento Econômico Internacional pela Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. Atuou como promotor público e deputado federal. Exilado no Chile, trabalhou na FAO, braço da ONU que cuida de agricultura e alimentação, sendo diretor do organismo por 10 anos. Foi professor da Fundação Getúlio Vargas e fundou o Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (Cedec). Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Atualmente, preside a Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA).

Histórico de filiações partidárias: PDC, MDB, PT e Psol.

Cargos relevantes: Coordenador do Plano de Ação do governo de São Paulo (1959-1962). Secretário de Negócios Jurídicos do governo de São Paulo (1961). Secretário do Interior e Justiça da prefeitura de São Paulo (1961-1962). Deputado Federal (1962 – 1964. PDC-SP). Deputado Federal (1986 – 1989. PT-SP).

Domicílio eleitoral: São Paulo

Plínio de Arruda Sampaio em resumo: quem é o candidato do Psol à presidência?

“Assim como tenho no corpo um hormônio que me faz crescer barba, há outro que me obriga a ser comunista”. A frase do escritor português recém-falecido José Saramago cai como uma luva para explicar a personalidade de Plínio de Arruda Sampaio. Seu nome foi ventilado como possível candidato à presidência pela primeira vez durante o II Congresso do Psol, em 2009, como parte da construção de um programa que o partido espera que enfrente os efeitos da crise econômica, buscando a unidade da esquerda. É a segunda eleição que Plínio disputa pelo Psol, partido no qual ingressou em 2005. Ele tentou, sem sucesso, se eleger governador de São Paulo no pleito de 2006.

Para o deputado federal Ivan Valente, companheiro de partido, “as candidaturas que aí estão têm essencialmente a mesma proposta sobre política econômica. Já a candidatura de Plínio materializa uma experiência, um projeto político mais avançado. Ele só precisa furar o bloqueio que há contra ele”.

Sempre ligado à Igreja Católica, Plínio começou a militar na Juventude Universitária Católica. Depois, passou para a Ação Popular, uma organização de esquerda que surgiu a partir de movimentos de dentro da Ação Católica Brasileira. Nessa época, conheceu sua esposa, Marieta, com quem está casado há 55 anos e tem seis filhos. “Quando nos conhecemos, éramos estudantes. Ele de Direito e eu no colegial. Estávamos na colônia de férias da Juventude Católica e reconhecemos um no outro uma série de identidades que facilitou nosso namoro”, disse Marieta.

Após se formar na faculdade do Largo São Francisco, Plínio autou como promotor público. Elegeu-se deputado federal em 1962 pelo Partido Democrata Cristão e tornou-se membro das comissões de Economia, Política Agrícola e Legislação Social do Congresso. Foi escolhido para ser relator do projeto de reforma agrária que integrava as reformas de base do governo João Goulart. O modelo que ele propôs irritou sobremaneira os latifundiários e políticos mais conservadores.

Quando os militares deram o golpe, em 1964, Plínio foi um dos primeiros brasileiros com direitos políticos cassados pelo Ato Institucional n°1. “Vivemos um período de tensão. Ele foi demitido do Ministério Público pelo Adhemar de Barros (então governador de São Paulo). Foi uma demissão política. Não sabíamos no que daria aquilo. Ele não tinha condição de trabalhar, então se exilou no Chile. Ele foi antes para arrumar um emprego, depois fomos com o resto da família. Fomos muito bem recebidos no Chile pelo presidente Eduardo Frei Montalva, que era do Partido Cristão e fez questão de ser solidário, especialmente com o Plínio e o Paulo de Tarso, que eram ligados aos cristãos aqui. Na época, esse partido era outra coisa, bem diferente desse do Eymael”, lembra Marieta.

A casa da dona Marieta
No Chile, Plínio trabalhou no organismo agrícola da ONU (FAO), sendo transferido em 1970 para os Estados Unidos, onde desenvolveu projetos para a entidade em todos os países da América Latina. Durante todo o tempo em que esteve exilado, Plínio nunca perdeu contato com os militantes brasileiros, recebendo muitos deles que chegavam também fugidos da ditadura. Dentre os hóspedes que ficaram por lá estavam Márcio Moreira Alves e Paulo Francis.

Em sua casa, aconteciam reuniões constantes para discutir os principais problemas que a esquerda enfrentava dentro da conjuntura política da época. Sua intensa atividade política não o permitiu estar sempre presente na vida familiar. Marieta conta que foi ela quem segurou a barra de cuidar da casa e dos filhos, mas faz questão de frisar que sempre pôde contar com o marido.

Com a família de volta ao Brasil, ele ingressou na luta pelo fim do regime militar e pela anistia política. Idealizou um novo partido, que se posicionaria à esquerda do MDB (legenda que abrigava os opositores do regime militar). Participou da campanha de Fernando Henrique Cardoso ao Senado, em 1978, com o acordo de que, se este recebesse mais de um milhão de votos, fundariam a nova sigla. FHC desistiu do acordo após ter sido eleito, o que fez com que Plínio rompesse com o partido.

A criação e a saída do PT
“Na época que antecedeu a criação do PT, nossa vida foi uma dureza danada. Ele estava sem emprego, mas ia de casa em casa, junto com os demais militantes, coletando assinaturas e explicando para as pessoas do que se tratava aquele novo partido e da necessidade de fundá-lo”, conta a esposa. Plínio foi o autor do estatuto do PT e um dos idealizadores de seus famosos núcleos de base.

“Eu o conheço da época da fundação do PT. Em 1985, tivemos o primeiro teste eleitoral. Tinha a candidatura dele, do José Genoíno e do Eduardo Suplicy. Por incrível que pareça, apoiávamos o Genoíno. O Plínio era o mais à direita dos três. Ele fez parte do grupo majoritário do partido até sair candidato a governador em 1989”, lembra o deputado Ivan Valente.

Em 1986, Plínio se elegeu deputado federal constituinte e ganhou destaque com sua proposta de reforma agrária que pretendia acabar com os latifúndios. Foi líder do partido no Congresso e continuou militando internamente no PT. Disputou as prévias para a prefeitura de São Paulo, em 1989, sendo derrotado por Luiza Erundina. Em 1990, ainda tentou se eleger governador de São Paulo, mas foi derrotado.

“Já antes da posse do Lula, tínhamos uma visão crítica do que seria o governo. E nos três anos em que ainda estivemos no PT, lideramos um grupo grande que era contrário ao pragmatismo e ao rebaixamento programático colocados. No desenlace da saída do PT, disputamos a presidência do partido pela última vez. Fizemos uma dobradinha e depois saímos juntos do PT”, conta Valente.

Valter Pomar, secretário de Relações Internacionais do PT, tem uma visão diferente da história. “Foi um erro político imperdoável. Em 2005, a esquerda ganhou o primeiro turno na disputa pela presidência nacional do PT. Perdemos o segundo turno, entre outros motivos, porque ele saiu do partido. Além disso, as críticas que ele faz são fora de hora. O PT de hoje é, em parte, produto das políticas que Plínio defendeu nos anos 1980 e mesmo antes da criação do PT. Ele passou de moderado a esquerdista, sem conseguir parar no lugar certo”.

O Psol e a atual candidatura
Saindo do PT, Plínio logo se filiou ao Psol. Defensor do socialismo, entra em divergência com as maiores correntes do partido e com sua direção majoritária, acusando-os de repetir os erros do PT. “Ele é uma pessoa versátil e experiente. Tem todas as condições de fazer uma grande campanha e um grande governo”, diz Ivan Valente.

Para Pomar, o Psol é um projeto fracassado, “principalmente pelo erro cometido por Heloísa Helena em 2005-2006, quando se aliou objetivamente à direita ‘demotucana’ contra o PT. A avaliação que ele faz sobre o papel histórico do governo Lula é equivocada. O Psol reproduz, de forma piorada e udenista, o erro que o Partido Comunista cometeu frente ao governo Vargas, pouco antes do suicídio”. Apesar das críticas, Pomar considera a candidatura de Plínio uma opção melhor do que se fosse Heloísa Helena quem disputasse novamente as eleições.

Plínio tenta, aos 79 anos, ser o primeiro presidente socialista do Brasil. Em sua jornada, conta com apoio de diversos intelectuais, como Francisco de Oliveira e Paulo Arantes. Mas é à noite, antes de se deitar, que ele debate suas ideias com a pessoa que mais lhe importa e que o ajuda nas tomadas de decisão – inclusive na de se lançar numa corrida eleitoral. “Hoje em dia, ele me pede mais conselhos do que antes. Eu ficava muito aborrecida, porque gosto de política. Quando ele era mais imaturo, convencido, ele me consultava muito menos. Mas, em geral, eu participo direto das decisões”, finaliza Marieta.

Fonte: Portal Terra

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